23 agosto 2014

Links de Sábado #8

JÁ GANHOU
O Emmy é essa semana e, se depender da divulgação (mas não só), Breaking Bad já leva todas. Isso pois o Bryan Cranston e o Aaron Paul, já conhecidos pelos fãs pelo bom humor, fizeram algumas ações fodas para o evento de sábado. Primeiro eles fizeram esse vídeo (em baixo) hilário com a Julia Louis-Dreyfus, que também está indicada, devendo ganhar de novo por Veep. No vídeo eles satirizam um desses programas reality show underground que fazem muito sucesso nos EUA, mostrando serem igualmente competentes tanto na comédia quanto no drama. Bom ver o vídeo até o fim. Depois disso, o Aaron ainda postou no Instagram que fará uma caça do tesouro por Hollywood para os fãs com roteiros, figuras de ação, pôsteres, tudo autografado. Queriamos todos estar em LA nesse momento... =/ 
-Vítor


BIZARRICE
O site BlogBlux fez uma lista Essas 10 Estátuas São Verdadeiramente Assustadoras, mostrando as estátuas mias monstruosas espelhadas pelo mundo. Quem é curioso por estas bizarrices, vale a pena conferir.
-Rodrigo


APP DA SEMANA
O número noticiado de casos de marcas de roupas usando mão de obra escrava cresce assustadoramente. De meses em meses aparece uma notícia na mídia de uma e outra irregular, às vezes até mesmo recorrentemente. Essas ações fazem o consumidor se sentir completamente desempoderado sobre como agir corretamente: ele pode até, individualmente, boicotar a marca, mas não tem como ter reais influências sobre como a marca se comportará daí para a frente, nem garantias de que a nova marca que ele consome também não age da mesma forma. Foi pra isso que foi criado o aplicativo Moda Livre, pela Repórter Brasil. Nele, o consumidor fica rapidinho sabendo a que passo está a empresa nessa causa. O mais legal é que não só o histórico da marca é levado em consideração, mas também o quanto ela se compromete com a fiscalização de fornecedores e a transparência da marca nesse quesito. Uma ótima dica antes de dar uma passada no shopping. Tem pra iOS e pra Andorid.
-Vítor


INUNDADO
O Instagram dessa semana é, definitivamente, o @funderwater, que é apesar do nome gringo é brasileiro, e imita cenas lendárias de filmes famosos debaixo de uma piscina. Eles já até mostrarm um Making Of e até tem certa produção pra fazer a brincadeira. O resultado é sensacional.
-Vítor

21 agosto 2014

O homem e o mar

Nunca gostou do mar. Nunca antes. Havia vivido sempre na parte mais interior da cidade, ou em outras cidades pelo país. Ir à praia sempre significou domingo, confusão, problema para estacionar, areia pelando e barulho. Muito barulho. Mas agora o barulho é agradável. Ondas batem umas nas outras e também em seus pés descalços. A areia não queima as palmas, são 6 da tarde. A barra está dobrada, a um palmo do calcanhar. Está com uma calça cinza, social, que apesar de devidamente abotoada tem o cinto afrouxado. A gravata também estava afrouxada, na gola de uma camisa ofuscantemente branca, que tinha seu brilho reduzido pelo breu de um belo paletó preto. Seus olhos, fixos no horizonte.

Poucos entendem o conforto que a imensidão pode trazer. Imergir-se, em seja lá o que for, é um dom: o de se encontrar pequeno. Depois de décadas de vida, família e trabalho, agora sozinho e repleto de rugas, que vai se encontrar pequeno. Olha fixamente e ama o mar porque é maior que si mesmo, em milhões de quilômetros cúbicos; porque está lá há mais tempo que ele jamais viveria, mesmo em dezenas de vidas juntas. Não importa o cubículo em que agora vive, não importa quão fria está a vida e a água em seus pés. Em algum lugar aquela mesma água está quente.

Quem passa na rua da orla naquele instante, no tráfico colapsal do fim de tarde de um dia de semana qualquer de uma cidade grande deve achar se tratar de um homem cansado. Sentia-se, sim, pesado, mas mais pelo movimento que a areia fazia quando a onda voltava deixando um rastro em forma de buraco. Naquele momento, porém, também era leve. Não só leve, fluido. Se imergia e dissolvia no fundo do mar e conhecia animais que o ser humano nunca viu ao mesmo tempo que eles conheciam partes dele que ninguém jamais conheceu. O mar toma-lhe a forma, e se inunda de mar ao mesmo tempo que o mar inunda-se dele, até transbordar, salgado, por todos os orifícios do rosto, soluçando e sorrindo como uma criança que vai a praia pela primeira vez.


18 agosto 2014

CiberCultura

En Taro Tassadar,  caro leitor. Hoje seguindo a muito bem feita Carta do Editor (e não estou dizendo isso por propaganda, imagina), nós vamos falar de uma vertente da cultura, se é que podemos chamar assim, a CiberCultura. Tecnologia nos dia de hoje é algo indispensável para a vida humana (clichê), e ela se tornou tão forte que influencia a nossa própria criação de cultura (2x clichê) e cria esse fenômeno que vamos tratar hoje, CiberCultura, a cultura da tecnologia.


Por definição a CiberCultura é todo o movimento cultural, seja no ramo artístico, educacional, ou do entretenimento que é criado e propagado por meios digitais, ou que de alguma forma esteja relacionado com ela. Por exemplo, na Coreia do Sul, onde praticamente todo o cidadão que se preze, joga ou gosta de Starcraft I ou II (é serio, isso la é como futebol aqui) onde é declarado como o esporte e os jogadores são considerados "atletas", ou musicas eletrônicas, com sons e "notas" (talvez os professores de musica digam que não são notas) produzidas pelo computador e que não podem ser feitas por nenhum instrumento já feito, até mesmo o Facebook, e o habito de colocar fotos do seu dia a dia e ganhar curtidas, isso são coisas que se encaixam em uma das 24143214234234 definições de cultura, uma massa ou alguém produz algo e é adotado por outros como uma espécie de estilo de vida, e como tudo isso tem haver com tecnologia, se torna uma cibercultura

A educação tem muito a ganhar com esse tipo de cultura, usando tanto o rápido meio de propagação, para espalhar conhecimento, ou aspectos próprios dessa cultura, como os jogos (educativos ou não) para aprimorar certos tipos de habilidades em quanto se aprende, grupos e redes sociais para uma aprendizagem fora da sala de aula, vídeos no youtube, enfim, uma variedade de coisas que podem ser feitas, dependendo muito da criatividade do professor, o único problema para o uso da cibercultura na sala de aula é a necessidade de reeducar tanto os alunos quanto os professores para o uso correto desse tipo de cultura, tecnologia demanda tempo.

Não é de hoje que a tecnologia mexe com a gente, na verdade não sobreviveríamos sem ela (e nem venha me falar daqueles caras que vivem nas cavernas, por que até nossa caça precisa de tecnologia) mexe de tal forma que na época da TV preta e branca, as pessoas tinham mais sonhos preto e branco, mas essa influencia não é algo que devemos ter medo. A tecnóloga esta ai para aprimorar e nos ajudar a transpassar nossos limites biológicos, e não para nos substituir, por isso que venha a cultura do "tudo conectado"

13 agosto 2014

Bembé do Mercado

O propósito desta postagem era pra ser publicada em maio, mas estávamos na fase de remontagem do blog. Fazem 3 meses que o blog voltou, porém deixei pra o Mês #3 Cultura para ser mais coerente.

Dia 13 de maio em
Santo Amaro
Na Praça do Mercado
Os pretos celebravam
(Talvez hoje inda o façam)
O fim da escravidão
Da escravidão
O fim da escravidão
Assim diz Caetano Veloso na canção "13 de Maio", conterrâneo de Santo Amaro - Bahia. Em muitos lugares esta data de suma importância passa despercebida, porém nesta cidade, desde a 1889 (um ano após a Lei Áurea) é comemorada fortemente.

Santo Amaro da Purificação, Terra de Dona Canô, Caetano, Maria Bethânia, como normalmente é chamada, não se restringe somente à isso (muito menos ao que se mostrou no Domingão do Faustão, no quadro Dança da Galera). Possui mais encantos artísticos, culturais e históricos do que se imagina.

Fundada oito anos depois da fundação de Salvador (1557), a cidade sempre foi e é um reflexo de tudo que ocorreu (e ocorre) no Brasil. Para se entender este país, precisa-se entender a Bahia, para entender a Bahia, precisa-se entender o Recôncavo Baiano e para se entender o Recôncavo Baiano, precisa-se entender Santo Amaro.

Participou da ascensão e domínio da cana-de-açúcar; foi o local em que se fez a Ata de 2 de Julho para a Independência da Bahia; grande relevância na abolição e resistência à escravidão; teve metade da população dizimada pela epidemia da cólera; sofreu as devastadoras consequências da Indústria Moderna com a fábrica de chumbo; enorme influência na Ditadura Militar, movimentos sindicalistas e comunistas do Brasil; e hoje vive o caos da educação, saúde e segurança pública, como a maior parte das cidades brasileiras.

Mesmo a Lei Áurea não concebendo melhorias na vida dos escravos, o valor de liberdade já é motivo de festa. Exatamente este sentimento que o Bembé do Mercado passa: estar livre. E neste ano, comemorar os 125 Anos de Afirmação da Religiosidade e Cultura Negra.
Foram 6 dias de festa, com apresentações puramente regionais. Vários grupos de capoeira; maculelê (uma luta misturada com dança que se utiliza bastões metálicos); samba de roda, chula, mascarados e grupos de dança afro; palestras e debates; e no encerramento de cada noite, candomblé, na propriedade da palavra, na rua. O único candomblé de rua em todo o país.
Além da liberdade e a culto aos orixás, dá oportunidade de sintetizar toda a cultura, semeada desde a chegada dos povos negros vindos da África, que se misturou com os indígenas e portugueses.


E a maior tristeza é saber que este caos na gestão pública do Brasil, está tentando dissolver aos poucos essa cúpula cultural, destruindo todo seu patrimônio histórico. As pessoas não abrem os olhos para o que está se deixando para trás.Valorizar todo bem que seja orgânico é o primeiro passo para se viver melhor em conjunto. Precisa-se de globalização e estamos vivendo isto. Porém, uma globalização que não valorize somente aquilo que é mais rico economicamente.